Crescimento pessoal

11/01/2019 21h30

Cultura de Paz Urgente!

A paz é um caminho que começa dentro de nós e acontece através de um trabalho interno de autoconhecimento. Neste momento de tanta polarização, deve ser buscada imediatamente.

Por Elisa Dorigon

NBE
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Paz de dentro para fora

 “Não existe um caminho para a paz. A paz é o caminho”, já dizia o maior pacifista que o mundo já conheceu, o indiano Mahatma Gandhi. Ele pregava a necessidade de termos uma vida simples e resistirmos a um modo de vida acelerado, consumista, individualista, característico do homem da sociedade atual. Como Gandhi dizia: “devemos ser a mudança que queremos ver no mundo” e neste sentido, desenvolver nossa paz interior para expandirmos estes ideais.  

Toda a humanidade é uma só família, dizia o pacifista que enfrentou o ódio e muitos perigos em seu tempo, mas sua filosofia prática de disseminar a paz e a não violência ajudou a libertar a Índia e serviu de modelo para o avanço dos direitos civis em todo o mundo. 

Assim como Gandhi, o filósofo, escritor, orador e educador indiano Jiddu Krishnamurti também pregou a paz, através do autoconhecimento e ação correta. "Nenhum líder vai nos dar a paz, nenhum governo, nenhum exército, nenhum país. O que vai nos dar a paz é a transformação interior que nos conduzirá à ação exterior. A transformação interior não é isolamento, desistência da ação exterior. Ao contrário, só pode haver ação correta quando há o pensamento correto, e não existe pensamento correto quando não existe autoconhecimento. Sem conhecer a si mesmo, não existe paz." 

Propagadora de uma cultura de paz através do Budismo Zen, a Monja Coen acredita que se a paz não começar em nós, não começará. “Se nosso estado é de rancor, vingança e demonstração de força, não conseguiremos transformar a violência em paz ativa. Procuro construir uma cultura de paz, provocando nas pessoas um olhar mais abrangente e um aprofundamento na consciência do mais profundo em nós mesmos. Quando despertamos para o nosso ser, nossa natureza verdadeira, nos tornamos cuidadores da terra, do planeta e dos relacionamentos humanos”. 

Segundo a monja, criar uma cultura de paz começa na maneira como falamos, agimos e pensamos, expandindo a todos aqueles que encontramos. “Observe as discriminações e os preconceitos que ainda carrega, às vezes milenares, e trabalhe com isto. A cultura de paz é uma maneira de viver que deve ser cultivada em todos os setores de uma sociedade”. Para Cohen, se quisermos transformar uma cultura de violência em uma cultura de paz, precisaremos ter muita resiliência, e mais do que tolerar, saber compreender e respeitar. 

Recentemente, um encontro da Monja Coen com o historiador Leandro Karnal para uma conversa sobre a questão da cultura da paz e como ela poderia ajudar na construção de uma sociedade mais tranquila e menos violenta, acabou resultando na publicação do livro O Inferno Somos Nós - Do Ódio à Cultura da Paz. 

No livro, Karnal dá dicas de como realizar esta mudança. “Começamos pela compaixão, pela capacidade de sentir com os outros e reconhecer todos como seres humanos. Além disso, o conhecimento de si ajuda a não transferir, automaticamente, frustrações para outros campos, como trânsito e redes sociais. Por fim, o velho conselho medieval: odiar o pecado e amar o pecador. Odeio o crime, o tráfico de drogas e de pessoas e a corrupção. Porém, o criminoso continua sendo uma pessoa com direitos”, diz o historiador.  

Paz no Facebook

Na intenção de mostrar os inúmeros caminhos possíveis para se desenvolver a cultura da paz, o tarólogo, numerólogo e mestre Reiki Jaime E. Cannes criou a página "Um Caminho para a Paz", no Facebook. “É um singelo projeto de colaboração para um mundo que estimula a competição e o sucesso material a qualquer custo, ao mesmo tempo em que se reclama da violência e da falta de valores sem que se perceba o grande círculo vicioso que estes comportamentos alimentam”.

Jaime conta que nenhuma das colaborações foi apresentada como sendo a melhor, mais acurada ou elevada. Todas estão em um mesmo patamar, mesmo nível de importância, pois estamos em momentos evolutivos diferentes. Assim sendo, abraçamos diferentes propostas para a paz neste mundo. Há também textos sobre temas sociais relevantes, citações de líderes, filósofos e poetas mundialmente conhecidos. “Fiz questão de convidar pessoas que, de algum modo, já desenvolvessem um trabalho na área holística, pois acredito firmemente que os trabalhos holísticos são meios muito eficazes de se desenvolver a cultura da paz. Uma vez que desobstruem a visão interior das pessoas sobre si mesmas, quebrando condicionamentos e programações e permitindo que cada um encontre o seu caminho pessoal para a paz. Do mesmo modo que creio que todos os outros círculos de desenvolvimento espiritual, quer sejam esotéricos ou místicos, assim como os da arte, do ambientalismo, do ativismo social, da filantropia, do ativismo de direito animal, e o veganismo contribuam para fomentar a cultura da paz. Jaime ainda conta com poucos colaboradores, mas para que a informação se expanda em maior velocidade, pede que sejam enviados textos e que as postagens possam ser compartilhadas, pois a página é aberta, de todos e para todos. “É uma urgência dos nossos tempos”, finaliza o tarólogo.

Cultura de paz no Brasil

O estabelecimento de uma cultura de paz e desenvolvimento sustentável estão no cerne do trabalho da UNESCO – Organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura no Brasil. Mais do que teoria e prática, a organização acredita que a não violência tem que ser uma atitude entre toda a prática de ensino, envolvendo todos os profissionais de educação e estudantes, pais e comunidade em um desafio comum e compartilhado de educação. As práticas de não violência devem estar refletidas nas regras e na utilização das instalações da escola. Estão entre as práticas adotadas no Brasil a campanha "Igual a você", contra o preconceito; "Não deixe o bullying entrar em sua escola; pesquisas e avaliações sobre violência no Brasil; Programa Criança Esperança e Programa Abrindo Espaços: Educação e Cultura para a Paz. 

Outro exemplo é a Rede Internacional UNIPAZ, criada para disseminar uma Cultura de Paz entre os vários segmentos sociais, promover a integridade do ser e a ampliação de consciências divulgando o paradigma holístico. A universidade desenvolve várias atividades de cunho nacional e internacional para a ampliação de conhecimentos e troca de experiências para a construção de uma nova visão de mundo e formação de uma nova consciência. A Universidade iniciou suas atividades em Brasília/DF e, hoje, tem ramificações em todo o país.

E nós?

Para a instalação de uma cultura de paz, de forma efetiva, é preciso que as pessoas busquem conteúdos, cursos e práticas que abordem e estimulem atitudes geradoras da paz, da evolução e harmonia. Abaixo sugerimos algumas atividades:

- Meditação e autoconhecimento
- Psicoterapia e Terapias Integrativas 
- Práticas corporais e energéticas
- Biodanza
- Voluntariado
- Atenção na escolha de programas de TV, livros e filmes. O que você vê está alimentando que tipo de sentimento e energia?
- Menos tempo de internet e redes sociais. Quando navegar na internet, procure por assuntos voltado ao autodesenvolvimento

Enfim, trabalhe a si próprio e seja mais uma pessoa a ingressar nesta busca de uma sociedade mais justa e mais pacífica. Uma sociedade com uma cultura de paz de verdade só ocorrerá quando um número elevado de cidadãos estiverem nesta frequencia. Ao trabalho, amigos!

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